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A conversa entre uma criança, o pai e um repórter, registrada por uma emissora francesa, é uma lição sobre a necessidade de cultivarmos a cultura de paz, começando pela infância. Referindo-se ao ato terrorista que matou pelo menos 129 pessoas em Paris na sexta-feira (13), o jornalista perguntou ao menino se ele entendia o que havia acontecido. Preocupada, a criança disse ter medo, porque os terroristas “têm armas e podem atirar neles”. É quando o pai diz: “Eles têm armas, mas nós temos flores.” A entrevista termina com o garotinho aliviado, protegido pelas flores – protegido pelo amor. Veja o vídeo neste link aqui.

Ao acolher a angústia do filho com uma resposta lúdica, o pai ensinou a ele muita coisa: a cultura de paz, a tolerância… Não é ensinando violência e vingança que vamos mudar o mundo. Não se trata de “oferecer a outra face”, ser passivo e manter-se vulnerável. No caso específico, é claro que o país deve adotar medidas de segurança. Mas em nossas relações cotidianas, depois de assistir a um diálogo como este, vale a pergunta: Por que estamos cultivando uma cultura baseada no ódio?

Outro dia, um amigo que apresenta o jornal de uma importante rádio de notícias comentou: “Uma vez, noticiamos um bombardeiro em determinado país. Não demorou muito para vários ouvintes mandarem mensagens, dizendo: Podia ser em Brasília. Podia ser na cabeça da Dilma.” Será que essas pessoas têm dimensão do que significa o violento desejo de ver Brasília bombardeada?

Nas manifestações pelo impeachment da presidente, foi a mesma coisa. Para rechear os pedidos da volta da sangrenta ditadura militar, uma senhora ostentou a placa: “Por que não mataram todos em 1964?” No dia-a-dia, é agressividade no trânsito, impaciência para esperar o idoso subir no ônibus, “bandido bom é bandido morto”, intolerância, olho por olho, dente por dente… ódio, ódio e mais ódio. Mais amor, por favor.