(Foto: Nilufer Demir/Reuters)

(Foto: Nilufer Demir/Reuters)

Uma foto chocante traduziu hoje a crueldade da crise dos refugiados na Europa. “Desculpem pela agressividade da imagem. Hoje, mais uma vítima da crise de refugiados. Um garoto sírio, nas costas da Turquia. Ele não morreu afogado. Não foi o mar que o matou. Não foi uma fatalidade. Ele foi assassinado. Acorda Europa”, bem definiu Jamil Chade, correspondente internacional do Estadão, nas redes sociais.

Jamil está na fronteira da Áustria com a Alemanha, acompanhando centenas e centenas de pessoas que chegam à Europa. Segundo ele, entre elas, muitas são crianças. Os países vivem o impasse político sobre o que fazer com milhares de refugiados. Jamil conta que a Alemanha aceita dar asilo, mas para chegar lá é preciso passar por outros cinco países.

A falta de solidariedade internacional é, infelizmente, comum nesses casos. A paralisia da comunidade internacional diante os conflitos na África e Oriente Médio incomoda há anos, quando a Primavera Árabe começou. De lá para cá, muitas consequências: massacres, guerra civil e a violência do Estado Islâmico, que não dão outra opção à população a não ser buscar refúgio. O problema existe há muito tempo, mas agora bateu à porta da Europa.

Segundo o coordenador da Faculdade de Relações Internacionais da FMU, Manuel Furriela, os refugiados não são simplesmente imigrantes. São estrangeiros com proteção especial, por estarem fugindo de uma situação de seu país de origem, que coloca em risco sua vida. “Os países são obrigados e recebê-los e protegê-los”, explica.

Com relação às crianças, Furriela comenta que há uma previsão de que uma vez que o pai ou a mãe consigam chegar ao país de destino para fugir, eles têm o direito de levar os integrantes da família depois. “Tratados internacionais protegem os direitos das crianças em qualquer situação. Elas têm preferência internacional em sua proteção”, diz.

Por ser um continente desenvolvido e estar próximo geograficamente aos locais dos conflitos, a Europa acaba atraindo a população para o refúgio. Mas, de acordo com Furriela, é hora de outros países se solidarizarem. “O Brasil também deveria se oferecer como destino para receber esses refugiados”, opina.

Segundo o especialista, no entanto, o grande fator é lidar com os conflitos locais nos países de origem, para tentar uma solução e dessa forma diminuir a geração de refugiados. “Enquanto não equacionarem a questão do Estado Islâmico, por exemplo, continuará tendo muita instabilidade”.
Um dia de luto. #savethechildren