Diz Augusto Cury que as grandes ideias surgem da observação dos pequenos detalhes. Verdade ou não, temos aqui um exemplo. Em janeiro deste ano, após voltar de uma viagem de 20 dias pelo sul da Bahia,a  jornalista Livia Deodato se viu diante de um dilema cotidiano: não tinha dinheiro e queria fazer a mão e o pé. Ao pensar que outras pessoas poderiam estar na mesma situação, ela decidiu criar um grupo no Facebook, chamado Escambo de Talentos. A ideia é promover a troca de saberes, serviços e experiências, sem envolver dinheiro.

Em pouco mais de um mês, a comunidade chegou a mais de 5 mil participantes e rendeu diversos encontros, entre eles a troca de sabonetes artesanais por massagem relaxante, de aula de maquiagem por sessão de reiki e ainda um clube do livro e um time de vôlei de 10 jogadores.

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Grupo de vôlei se reúne em parque de São Paulo. Crédito: Divulgação

Livia ainda conta que alguns depoimentos chegam a emocionar. “Uma pessoa se ofereceu para conversar sobre o Mal de Alzheimer, pois o pai dela estava em um estágio avançado da doença. Outro integrante disse que pode conversar sobre depressão, porque já enfrentou algumas vezes este processo. Há ainda alguém que se colocou à disposição para ouvir quem tem pensamentos suicidas com a máxima discrição”, conta a idealizadora do projeto.

O Escambo de Talentos mostra que os princípios da economia colaborativa podem, sim, funcionar na prática. O compartilhamento de recursos humanos, físicos e intelectuais possibilita o acesso a bens e serviços sem a necessidade da troca monetária.

Para a jornalista, as pessoas estão cansadas de verem que o tempo está passando e elas não estão fazendo o que mais amam. “O Escambo de Talentos surgiu como uma forma de resistência a tudo isso. É a oportunidade que todos têm de oferecer o que mais lhe dá prazer em troca de algo que sempre quis aprender. E o melhor: sem a desculpa de não ter dinheiro para isso”, sugere a idealizadora. “Eu não preciso mais ter. Eu preciso ser.”

Outro resultado positivo do projeto, segundo Livia, é perceber que podemos restabelecer laços de confiança, em uma rede de ajuda mútua formada por amigos de amigos, dispostos a compartilhar experiências, aprendizados e habilidades, em uma cidade grande como São Paulo, onde muitas vezes sequer conhecemos nossos vizinhos.

Quem quiser conhecer melhor a proposta, pode chegar no primeiro encontro dos “escambistas”, no domingo (5), das 14h às 18h, na Praça das Corujas, em São Paulo.