Crédito: Arquivo EBC

“Juventude: empoderamento do jovem para o enfrentamento da busca de trabalho” foi tema de debate no Congresso GIFE, na quarta (4). Representantes da Fundação Odebrecht, da Ponto Social, JP Morgan e do CEDAPS (Centro de Promoção da Saúde) falaram sobre suas experiências em projetos sociais voltados para jovens.

O debate propõe uma reflexão importante a respeito do rompimento do ciclo da pobreza de famílias em vulnerabilidade social, além do resgate da possibilidade de sonhar e de buscar novas perspectivas na vida.

A dificuldade de acesso ao trabalho decente tem relação direta com o combate ao trabalho infantil e ao trabalho desprotegido de adolescentes e jovens, uma vez que tal violação é porta de entrada para tantas outras, como evasão escolar, violência nas ruas e dificuldade de inserção ao mercado de trabalho digno, na vida adulta.

De acordo com a última PNAD, das 1,8 milhão de pessoas trabalhando entre 5 e 17 anos, 808 mil têm entre 14 e 17 anos. O dado nos revela que, mesmo entre as crianças matriculadas na escola, algo está faltando na transição para a vida adulta para que se acesse o trabalho decente.

Gravidez precoce, violência e barreiras para a permanência na escola afastam esses jovens de outras possibilidades de futuro. Apresentado durante a mesa, o projeto Jovens Construtores, do CEDAPS, visa contribuir para o crescimento pessoal e profissional de jovens moradores de favelas e periferias, além de mobilizar o desenvolvimento de famílias, organizações e comunidades.

O empoderamento desses jovens se dá a partir das possibilidades de novos caminhos, estabelecidos a partir de alianças, já que é tão difícil estabelecer novas trilhas, sem apoio. Também com esse olhar, o Ponto Social estabelece uma conexão entre empresas e organizações sociais, promovendo e mentoria dos jovens.

Ou seja, ao promover o voluntariado dentro de empresas, esses profissionais se conectam a jovens atendidos por organizações e os ajudam a pensar em seus sonhos e estabelecer um plano de carreira, traçando metas e estratégias.

O encontro promove o autoconhecimento, a exploração de novas possibilidades e o planejamento da carreira, concluindo um plano de ação para o jovem, ainda com página em branco no fim, simbolizando o futuro, com muitas possibilidades a serem escritas.

Saindo do contexto urbano, a Fundação Odebrecht realiza ações no Baixo Sul da Bahia, com um olhar atento aos jovens do campo. Se a terra na bota antes os envergonhava, agora passa a ser motivo de orgulho e resgate da ancestralidade.

Como o conhecimento da minha família, no campo, pode contribuir para a minha formação? Além dos problemas de violência e drogas, que já assolam o campo, há também a falta de perspectiva, a partir da crença que o campo não tem valor.

O trabalho da organização visa resignificar esse pensamento, rompendo a ideia de que para ter sucesso é preciso migrar para Salvador ou até São Paulo. A partir do momento que se dá valor e beleza àquela realidade, se ampliam as possibilidades a partir de cursos técnicos em agrofloresta, agronegócio e agropecuária.

Em relação às crianças e adolescentes do campo, de acordo com o Procurador do Trabalho Antonio de Oliveira Lima, é de extrema importância protegê-los do trabalho infantil, uma vez que a permanência no campo não pode ser argumento para o incentivo ao trabalho precoce.

“Algumas pessoas acabam defendendo o trabalho infantil, ao argumentarem que é preciso ensinar o trabalho desde cedo. É necessário tomar muito cuidado com essa questão, pois o trabalho precoce nada tem a ver com a profissionalização do jovem”, disse o procurador.

Novos sonhos e projetos de vida podem se encaixar dentro da realidade de cada jovem, exatamente onde ele está, explorando as potencialidades de seus territórios. Vale então refletir qual é o papel da escola, das políticas públicas e da sociedade no apontamento dessas possibilidades, em realidades tão hostis e difíceis.

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