“Trabalho infantil não é folia.” O slogan da campanha do Ministério Público do Trabalho bem define a situação de crianças e adolescentes que trabalham nos blocos antes, durante e após o Carnaval.

Alguns deles acompanham os próprios pais e familiares, que trabalham nas datas, na venda de bebidas. Outros chegam sozinhos, na missão de vender adereços, por exemplo. O fato é que todos eles têm algo em comum: em geral, estão em situação de vulnerabilidade social.

Enquanto o Carnaval de algumas crianças é de confete e serpentina, o Carnaval de crianças e adolescentes que trabalham é marcado pelo peso da responsabilidade, pelo sol à pino, pelo contato com bebidas alcoólicas, além da exposição à violência, exploração sexual e tantas outras violações.

O cenário enquadra o trabalho infantil nos bloco de Carnaval entre uma das piores formas de trabalho infantil, de acordo com a Lista TIP, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). No ano passado, fiz uma reportagem denunciando a prática, no projeto Chega de Trabalho Infantil.

A denúncia inspirou a ação do MPT, que ganhou todo o país. Em parceria com a Associação de Ex-Conselheiros e Conselheiros da Infância (AECCI), reforça a campanha Chega de Trabalho Infantil, no período do Carnaval.

Em São Paulo, também contou com a parceria do Fórum Paulista de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, Defensoria Pública do Estado de São Paulo e Associação Cidade Escola Aprendiz.

O objetivo foi alertar foliões, blocos e a sociedade para a situação de crianças e adolescentes invisíveis e desprotegidos. Peças foram divulgadas na internet, levando a mensagem. Um grupo de apoio transitou pelos blocos, distribuindo materiais de divulgação e conscientizando os participantes da festa. A Campanha também incentivou a denúncia pelo Disque 100 e 156.