Crédito: Rodrigo Carvalho / MPT

Há um tempo, venho acompanhando as discussões a respeito da importância do protagonismo juvenil. No início do mês, tive a oportunidade de participar do Primeiro Encontro Nacional de Adolescentes pela Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (ENAPETI), em Fortaleza (CE).

A iniciativa do Ministério Público do Trabalho do Ceará (MPT – CE), em parceria com a Associação para o Desenvolvimento dos Municípios do Estado do Ceará (APDM-CE), reuniu 22 adolescentes do Brasil inteiro, além de cerca de 150 participantes do estado.

A ideia era engajar as novas lideranças, promovendo a conexão entre elas e também com o poder público de seus territórios, multiplicando o protagonismo juvenil.

A partir do encontro, foi formado o Comitê Nacional de Adolescentes na Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Conapeti), que também se mobiliza para discutir outras importantes questões dos direitos de crianças e adolescentes.

É praticamente impossível transmitir em palavras a intensidade e potência do encontro desses jovens. É um sopro de esperança conhecer adolescentes tão engajados. Dizem que precisamos “dar voz às minorias.” Nós não precisamos dar voz aos adolescentes. Eles já têm voz – e muita!

O que nós precisamos é ouvi-los, dar espaço… Como eles mesmos disseram, não dá para falar de feminismo sem escutar as mulheres. Da mesma maneira, não é possível falar de infância e juventude sem conversar com as crianças e adolescentes.

Urgência

Em entrevista à Rede Peteca – Chega de Trabalho Infantil, o coordenador do Programa de Cidadania dos Adolescentes do Fundo das Nações Unidas pela Infância (UNICEF), Mário Volpi, fez uma triste constatação: “Perdemos as crianças na segunda década de vida”.

Segundo ele, antigamente havia uma série de visões na sociedade e no meio científico de que era necessário investir somente na fase inicial da vida para colher os frutos na fase seguinte. No entanto, o desenvolvimento humano exige um investimento permanente, pois as crianças que salvamos na primeira década de vida não foram protegidas na segunda.

De acordo com informações da reportagem, nos últimos dez anos, 25 mil vidas foram salvas com a redução da mortalidade infantil causada por doenças respiratórias ou diarreia. Em contrapartida, mais de 80 mil jovens foram assassinados no país nesse período.

O Atlas da Violência 2017, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revela que homens, jovens, negros e de baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas no país.

O assassinato de jovens do sexo masculino entre 15 e 29 anos corresponde a 47,85% do total de óbitos registrados no período estudado. Constatou-se também que os jovens negros entre 12 e 29 anos estão mais vulneráveis ao homicídio do que brancos na mesma faixa etária. Em 2012, a vulnerabilidade alcançava mais que o dobro.

Quando se trata de trabalho infantil, as estatísticas igualmente chamam a atenção. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015 indicam que de 2,6 milhões de crianças e adolescentes atualmente em situação de trabalho no Brasil; 2 milhões têm entre 14 e 17 anos de idade.

Não faltam argumentos para comprovar a urgência em ouvirmos nossos adolescentes e jovens. Um bom começo é acompanhar o trabalho do novo Comitê. Vou expressar a minha gratidão por tudo o que os adolescentes me ensinaram nos dias em que estivemos juntos, citando os nomes deles por aqui. Guardem com carinho, pois tenho certeza que ainda ouvirão muito sobre eles.

Adolescentes protagonistas do Conapeti:

Alanna Mangueira- Sergipe
Alisson Alves – Acre
Ana Julia – Paraná
Anna Luiza Calixto – São Paulo
Beatriz Ayres – Tocantins
Bruno Meuza – Rio de Janeiro
Darah Alessandra – Amapá
Diego Douglas – Minas Gerais
Dryelle Cristina – Piauí
Emmanuel Moreira – Paraíba
Erick Oliveira – Rio Grande do Sul
Felipe Caetano – Ceará
Jaci Araújo- Amazonas
Juliana Carolina – Roraima
Karoliny Moura – Rondônia
Lara Sandeberg – Espírito Santo
Lucas Luzzione- Pará
Maiara Oliveira- Mato Grosso do Sul
Maria Eduarda – Rio Grande do Norte
Mário Emmanuel – Pernambuco
Melissa Lima – Bahia
Mikael Lucas – Rio Grande do Norte
Thiago Silva- Santa Catarina
Vivian Rossane – Alagoas
Wilson Guilherme – Rondônia