O jardim de Orsini integra-se à tenda de Armentano

Melhor do que o ano passado, a Casa Cor, com seu universo edulcorado do morar, abre hoje para o público junto com a Casa Hotel e a Casa Kids, no Jockey Club de São Paulo. Os três eventos reúnem 124 ambientes produzidos por 170 profissionais. A busca pela sustentabilidade e a celebração ao centenário de nascimento de Roberto Burle Marx foram os temas propostos pela organização aos participantes da mostra de âmbito doméstico. Esse fato, em princípio, causou estranheza não pela importância dos assuntos em questão, mas pela possibilidade de se verificar certa estandardização nos projetos. Não foi o que ocorreu, graças à criatividade dos arquitetos e decoradores, que seguiram as proposições – uns mais, outros menos. Com viés natural, os espaços de maior destaque partem do conceito de um local para deixar longe o estresse dos grandes centros e valorizam a integração entre interior e exterior, numa reciprocidade visual.
Coincidência ou não, a onda escapista foi preconizada, em 2008, pela Casa da Árvore, de Fernanda Abs e Fred Benedetti, que virou must. Nesta edição, surgem o Bangalô, de Dado Castello Branco; o Refúgio do Velejador, de Débora Aguiar; o Loft no Campo, de Toninho Noronha; a tenda Fuori Città, de João Armentano; e a Cabana do Xamã, de Arthur Casas. Se os três primeiros foram corretos, os outros superaram as expectativas. Casas acerta em cheio ao valorizar o repertório nacional, com ênfase para a arte popular brasileira e os móveis assinados por ele, num espaço digno de mostras internacionais. Depois de uma série de participações mornas, Armentano ressurge com frescor, ao revisitar as tendas árabes com um jeito desarrumado de expor móveis vintage e de alto design. Integrado à proposta, está um dos melhores jardins, com pegada tropical-oriental, assinado por Luiz Carlos Orsini. Fernanda Marques vem com um loft de arquitetura incrível, em linhas essenciais. Mas a decoração rende-se praticamente a um único fornecedor de mobiliário, patrocinador do espaço. Seu talento está para além disso.
Mistureba
Na Casa, construção em que diferentes profissionais produzem cada qual um cômodo, o destaque é o home theater glamoroso de William Maluf. Com uma concepção mais clássica, que cita o americano Albert Hadley e o inglês David Hicks, ele mostra como a boa decoração não carece apenas das cores e dos materiais do momento. Nesse mesmo bloco, talvez esteja o ambiente menos acertado. É a Sala de Jantar, dos simpáticos Olegário de Sá e Gilberto Cioni. Ali a dupla – quem sabe em nome de uma pretensa modernidade – fez mistureba de estilos, com peças indianas, japonesas e déco, por exemplo, que resultou desagradável.
O Apartamento revela bons momentos. É o caso da Sala de Jantar de vocação moderna assinada por Francisco Cálio. Ou do living, de Antonio Ferreira Jr. e Mario Celso Bernardes, que explora uma paleta ousada de verde, turquesa e tons terrosos.
Já Fernando Piva fez um trabalho notável com seu Apartamento do Solteiro, de apelo masculino, onde há uma seleção bem cuidada de objetos e obras de arte. Para terminar, a Sala conceito, de Bya Barros, é um capítulo à parte. Cheia de personalidade, sua mescla insólita do novo e do antigo é um pouco over, sem dúvida. Mas nada mais legítimo que o ambiente espelhe essa característica. Afinal, como dizia o humanista Carl Rogers: “O homem tem de ser aquilo que realmente é”.