Vista interna original da casa modernista, na Rua Itápolis

Vista interna original da casa modernista, na Rua Itápolis

Você se interessa pelos caminhos da arquitetura e do urbanismo, os sistemas de construção, a sustentabilidade e o potencial de transformação disso tudo hoje em dia? Então pode reservar um tempo amanhã à tarde: às 16h30 vai rolar um debate, aberto ao público, nos jardins da casa modernista da Rua Itápolis, no Pacaembu. Sabe qual? É aquela construção do ucraniano naturalizado brasileiro Gregori Warchavchik (1896-1972), “o cara” da primeira geração de arquitetos modernistas no País, que era bastante influenciado por Le Corbusier e a turma da Bauhaus. O mediador do encontro será José Armenio de Brito Cruz, do escritório Piratininga, e os convidados, Carlos Martins e José Tavares Correia de Lira.

Legal a ideia desse evento paralelo no mesmo local da mostra Modernista 80 anos – que abre hoje -, uma coprodução do Piratininga junto com a família do autor da casa. Nela a gente pode conferir a restauração do prédio e do jardim criado pela mulher do arquiteto, Mina Klabin Warchavchik, fotografias das obras construídas, plantas arquitetônicas e desenhos. Há ainda 25 móveis de apelo intemporal desenhados por ele, mas que atualmente não são editados por nenhuma empresa.

Warchavchik influenciou um monte de profissionais daqui, entre eles o urbanista Lucio Costa. “Meu avô ‘trouxe a notícia’ do modernismo para o Lucio, que ainda buscava um estilo brasileiro no colonial, quando isso já era um beco sem saída”, comenta Carlos Eduardo Warchavchik . “A importância dele foi precisamente de 1925 a 1930 e poucos, como um catalisador do processo. Depois, a arquitetura brasileira se desenvolveu pelo seu próprio caminho.”

Lá em 1930, quando foi inaugurado, o tal endereço também abrigou uma mostra. Exposição de uma Casa Modernista, segundo consta, foi uma reunião incrível de diferentes artes visuais vistas pela primeira vez dentro de uma casa de arquitetura e decoração naquele estilo. Depois de 80 anos, o lugar, hoje tombado pelo Patrimônio Histórico, volta à cena.

Agora, quem sabe o exemplo de resgate da memória arquitetônica brasuca incentive outras iniciativas? “Evidenciar esse ícone do movimento moderno em São Paulo joga luz sobre um patrimônio importantíssimo presente na cidade e muitas vezes ainda não considerado como patrimônio”, considera José Armenio, do escritório Piratininga.  “Os prédios do campus da Universidade de São Paulo, edifícios como o Ester, na Praça da Republica, e outras diversas residências são exemplos de obras que merecem mais atenção do poder público e da sociedade, para sua conservação e recuperação.”

Modernista 80 Anos vai até 21 de abril. Com entrada grátis, a visitação é de quarta a sexta-feira, das 13h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 13h às 18h.  Fica na Rua Itápolis, 961, Pacaembu, São Paulo, SP, tel. (11) 3661-5066.

Para saber mais sobre a exposição, leia a reportagem bacana de Ana Bizzotto, especial para estadao.com.br, publicada ontem. O link é: http://migreme.net/4a1

A casa modernista de Gregori Warchavchik

A casa modernista de Gregori Warchavchik