Alguns bancos que vão integrar Puras Misturas

Alguns bancos que vão integrar Puras Misturas

Somos brancos, pretos, índios. Contemporâneos e primitivos. Eruditos e populares. O que parece paradoxal tem nome: cultura brasileira. É um pouco dessa diversidade que pretende ser revelada na exposição Puras Misturas, com curadoria geral de Adélia Borges. O título não poderia ser melhor. Pinçado de uma carta escrita por João Guimarães Rosa a um amigo, o termo sintetiza bem a miscigenação artística daqui. A mostra vai apresentar cerca de 500 obras eruditas, populares e indígenas nacionais, de diferentes procedências e épocas. A abertura será dia 11 de abril no antigo prédio da Prodam, no Parque Ibirapuera.

“Será a largada para a criação do Pavilhão das Culturas Brasileiras, um novo museu que ocupará o local”, conta Adélia, para quem as culturas letradas e iletradas dialogam.  O projeto foi desenhado no ano passado por ela, que não será diretora da nova entidade municipal. “Fui convidada, mas recusei, porque prefiro continuar como curadora autônoma.”

Quatro módulos ocuparão cerca de 2.500m2. Logo na entrada, Viva a Diferença! será uma instalação com 65 banquinhos feitos por povos indígenas e comunidades, artesãos e designers. Em seguida vem o Abre-alas, composto de esculturas e utilitários. Em Da Missão à Missão, será a vez de uma linha do tempo construída com o histórico de difusão dessa tal diversidade. Essas três partes ficarão no piso térreo do prédio. Por fim, no piso rebaixado,  Fragmentos de um Diálogo é o módulo com manifestações distintas.

Se assim for, será então possível conferir gratuitamente, numa mesma oportunidade, irmãos Campana com Victor Brecheret; Bispo do Rosário com a arte dos índios amazonenses Tukano; Lino Villaventura com um banco de pedreiro; Di Cavalcanti com Artur Pereira… Para além desses rápidos exemplos, essa geléia – de receita tão brasileira -promete ser boa de provar.