Guilherme Leite Ribeiro e André Bastos, do Nada Se leva

Guilherme Leite Ribeiro e André Bastos, do Nada Se leva

 

Depois de contribuições pontuais com a La Lampe, os designers André Bastos e Guilherme Leite Ribeiro, do estúdio Nada Se Leva, respondem, a partir de agora, pela direção de arte da marca de iluminação. A dupla, junta desde 2005, vai cuidar do mix de produtos ao visual das lojas. “Para isso, nos pautamos num tripé de conceitos: clean, cool e modern design”, conta Guilherme.

Os produtos a serem encontrados ali deverão ter características-chave como o desenho limpo, uma antena ligada na contemporaneidade e o respeito ou a revisitação ao mais clássico dentro do design atual. “A gente pensou sobre o fato de essas três palavras em inglês nortearem uma marca nacional, mas é que existe a vocação internacional dela”, comenta André.

Nessa perspectiva, que se pode dizer mais masculina, isso significa representar, por exemplo, as italianas Artemide e Fontana Arte, referências do segmento, além de oferecer peças daqui. A Flos, outra bambambã da Itália, estaria em conversação com a empresa.

As contribuições dos dois designers estarão mais evidentes a partir de maio, quando vão lançar, pela marca, dez novidades, que não pertencem a uma coleção, mas são estanques. Lustres, abajures e colunas de chão exploram matérias-primas como acrílico, freijó, vidro, aço e ferro. A ação deverá vir casada com a reinauguração do showroom da Alameda Gabriel Monteiro da Silva. O projeto de reforma é do designer Marcelo Rosenbaum, e o luminotécnico, do escritório Franco & Fortes.

Há quase um ano, em 14 de maio de 2009, o grupo DL Iluminação ­– que inclui, além da La Lampe, a marca Dominici e os projetos corporativos – passou a ter como sócia majoritária Alessandra Friedmann, com 60%. Os outros 40% estão igualmente divididos entre a sócia financeira Cristina Caselatto e o antigo proprietário, Marc van Riel, que diz estar satisfeito com as novas implementações. As duas trabalhavam na empresa antes da aquisição. O negócio valeria pelo menos R$ 10 milhões.

André e Guilherme tendem a, obrigatoriamente, se diferenciar da direção criativa da experiente designer Baba Vacaro na Dominici. “Não teremos, por exemplo, peças muito ornamentadas ou próximas do artesanal e do autoral”, explica Guilherme. Tanto que as poéticas criações do alemão Ingo Maurer foram limadas. Para André, que tem a célebre Birds, desse designer, foi difícil fazê-lo. “Mas elas fugiam do conjunto”, considera ele.

“A ideia da La Lampe é passar a apostar na expertise dos profissionais com que se relaciona, porque as coisas, antes, eram muito centradas na figura do Marc”, conta Alessandra. Não é só. “Reunimos num só galpão diferentes áreas para tornar a comunicação mais próxima, repensamos sistemas de informática, a forma de armazenamento das peças e queremos buscar, cada vez mais, a melhor equação entre produto, preço e prazo de entrega”, explica Cristina. Oxalá isso resulte em o valor de algumas luminárias, pelo menos, caber no bolso de simples mortais.

De qualquer modo, as inovações na empresa dão exemplos. Um deles é, por si só, colocar as fichas nos nomes de André e Guilherme. Hoje na faixa dos 40 anos, eles dizem que não tinham idéia de como tudo daria tão certo quando resolveram abrir o estúdio. O primeiro vindo do mundo da moda e o segundo da publicidade, foram logo amadrinhados por Sonia Diniz, da Firma Casa, que bancou a estética neobarroca das peças de acrílico então criadas por eles. Hoje assinam, entre outros projetos, a linha de estofados da OfficeForm.

“Isso tudo é resultado do jeito genuíno com que conduzimos o trabalho”, considera Guilherme. André complementa: “Acho que tem a ver com o desapego com que a gente lidou com as coisas desde o início”. Enfim, se da vida nada se leva, por que não arriscar?

Luminária do Nada Se Leva para a La Lampe, a ser lançada em maio

Luminária do Nada Se Leva para a La Lampe, a ser lançada em maio