Poltrona Bowl (1951), de Lina Bo Bardi

O que é um ícone do design? Criações que, para além de sua funcionalidade e sucesso comercial, retratam o espírito de uma época. Tão arraigadas no imaginário da gente, há obras que às vezes podem até passar batido. Como assim? Em qualquer bar da esquina, quando se pede café com leite por aqui, lá vem a mistura num copo americano. Muita gente não sabe, mas o tal copinho é mesmo brasileiro, com desenho da Nadir Figueiredo feito em 1947. Virou símbolo nacional, como outras tantas peças. O objeto integra mais um evento do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo. A mostra Ícones do Design – França/Brasil abre para o público dia 14, com curadoria do francês Cédric Morisset e da brasileira Adélia Borges. Cada um escolheu 22 criações do século 20 produzidas por designers dos dois países. Da França vêm, por exemplo, a caneta Bic; o avião Concorde; o espremedor de frutas Juicy Salif, de Philippe Starck; além da chaise-longue LC4, de Le Corbusier, Pierre Jeanneret e Charlotte Perriand. A brasileira revela as poltronas Mole e Bowl, respectivamente de Sergio Rodrigues e Lina Bo Bardi; o avião Demoiselle, de Santos Dumont; a calçada de Copacabana, de Roberto Burle Marx; as sandálias Melissa, de Humberto e Fernando Campana; e as tradicionais Havaianas, da Alpargatas – “aquelas que não soltam as tiras e não têm cheiro”, lembra? São exemplos de desenhos que invadiram a memória individual e coletiva não apenas em seu lugar de origem como pelo mundo afora. A exposição se estenderá até 20 de setembro. Depois, vai para o Paço Imperial, no Rio de Janeiro.


A chaise-longue LC4 (1928) está na mostra