Acabo de voltar pra casa depois de assistir Une Histoire de Fou no cinema ao lado.

Entro. Fecho a porta. Checo meu telefone que, anteriormente, estava no modo avião. Ouço uma mensagem de voz preocupada. “Onde você está? Acabo de receber as notícias do que aconteceu em Paris. Me ligue assim que possível”.

O que aconteceu? Pego o celular e procuro por um mínimo sinal de internet para acessar o site dos jornais Libération e Le Monde.

“Dezenas de mortos em Paris”. O tempo passa, o número de vítimas de diversos ataques terroristas aumenta. Enquanto atualizo as páginas dos portais, respondo às mensagens preocupadas de amigos e familiares afirmando que eu estou bem.

A cidade de Paris está, como diríamos aqui, ‘bouleversée’, chocada. Obrigados a ficar em casa, os parisienses ligam a televisão em busca de mais informações.

Fronteiras fechadas, estado de urgência, toque de recolher. Tudo é muito assustador.

Me dou conta que tive um medo que nunca tive como paulistana, um medo que quem vive no Brasil teve a sorte de não conhecer. É evidente que morar em São Paulo não é seguro, sempre andei alerta a qualquer tipo de perigo. Celular no bolso, olhares atentos, entrada cautelosa em casa.

Sempre criei um mito na minha cabeça de que Paris era o meu pequeno paraíso. Longe dos problemas do mundo. Percebo que a história mudou, a realidade é outra. Não estou mais segura nos cafés, no metrô ou no teatro. E não, ninguém quer roubar minha carteira ou meus bens de valor.

Mantenho os olhares atentos. No entanto, deixo o celular na mão. E espero chegar em casa em segurança.