Algumas marcas – e grupos – têm tentado emplacar o macacão no guarda-roupa masculino já há algumas coleções, mas sem grande sucesso ainda.

Essa peça foi muito utilizada na década de 1990, mas enterrada lá mesmo, e parece não agradar ao público masculino brasileiro. Afinal, não é de hoje que marcas têm lançado um ou dois modelos, no máximo, de macacões – especialmente em jeans – mas o resultado é que raramente você vê alguém usando o modelo por aí.

Creio que quatro motivos podem explicar o fato do brasileiro médio não aderir ao look peça única (one piece).

– Traz uma imagem de informalidade muito forte, logo, não se encaixa no ambiente de qualquer profissional, sendo, muitas vezes, inadequado ao dress code corporativo – e o brasileiro gosta de roupas versáteis que transitam do trabalho ao dia a dia.

– Na década de 1970 os macacões eram um símbolo da moda unissex, mas ao longo dos anos 2000 ficaram delegados ao público feminino, por isso, para muitos homens ainda parece “roupa de mulher”.

– O brasileiro, na sua maioria, prefere médio ou alto contraste entre bottom e top, por isso evitam look total jeans, uma imagem muito próxima daquela que o macacão proporcionará.

– Ir ao banheiro de macacão pode ser chato. Dependendo do modelo precisa tirar boa parte da roupa para fazer um simples xixi.

A Riachuelo, em parceria com o digital influencer Kadu Dantas, foi uma das marcas que lançou recentemente o modelo. Com uma variação (interessante) de modelagem, o macacão pode virar uma calça comum ao separar o corpo através de um zíper. Mas olhando algumas lojas da rede percebi muito macacão parado, enquanto outras peças da coleção esgotaram rapidinho!

Macacão 2 em 1 da coleção Kadu Dantas para Riachuelo (R$259,90)

Mas, por que marcas ainda têm insistido na peça? Possivelmente uma experimentação do potencial do mercado agênero. André Ferreira, 22 anos, produtor de moda, é um dos que ignoram essas problemáticas todas e usa a peça no seu dia a dia. Questionei o rapaz sobre seu interesse pela peça e ele afirma que é algo bem prático, já que não precisa se preocupar tanto com a parte de cima, “além de gostar dessa pegada anos 90”. André destaca ainda que pode haver alguma rejeição ao modelo pelo público masculino por ele não cobrir a parte de trás do quadril (mais conhecida como bunda – é, pode fazer sentido isso também).

André Ferreira, produtor de moda, adepto dos macacões.

Enquanto o macacão ainda procura espaço, o macaquinho chegou causando barulho. Um grupo de jovens amigos de Chicago (EUA) criou a marca RompHim para promover a peça única curta. Piadas, adeptos, notícias… essa história está rendendo e trazendo visibilidade para o produto.

Macaquinhos da marca RompHim

O fato é que macacão ou macaquinho vão de encontro à ideia de uma roupa agênero e, por isso, parece muito pertinente para o público mais jovem. Isso pode significar que, provavelmente, veremos cada dia mais essas peças na rua.