Nos últimos meses cada vez mais ouço (e leio) sobre a questão da moda sem gênero, ou mais comumente chamada de moda genderless. E, como toda novidade, tem gerado muitas críticas e questionamentos.

Primeiro vale destacar que, acima de qualquer estética, vivemos numa era democrática quanto ao vestir, ou seja, cada vez mais você pode aparentar ser o que desejar sem que haja padrões muito claros que imponham uma crítica as suas escolhas.

Quer um exemplo? As tão temidas pochetes são hoje artigo de comoção para jovens que pertencem a um grupo chamado hipsters. Aliás, quantos grupos existem? Uma das últimas contagens que tive acesso mencionava mais de 50 classificações: é muita diversidade para querer encontrar-se um padrão normativo.

Vale lembrar também que a roupa já foi igual para homens e mulheres. No Egito, Grécia, Roma e outros povos da antiguidade clássica e oriental ambos compartilhavam “vestidos” e “saias”. E, até hoje, podemos ver tal costume entre os povos do oriente, como acontece com o kurta árabe (uma espécie de túnica) ou o kilt irlandês (um tipo de saia).

Mas, isso não significa que nos próximos meses você terá que usar roupas iguais às da sua parceira. Calma! Na verdade, você verá, cada vez mais, jovens adotando essa estética para o seu guarda-roupas, ou seja, essa moda vem como uma resposta aos interesses de uma nova geração, chamada de Geração Z, que se refere aos nascidos entre 1991 e 2010, aproximadamente.

Para esse grupo o mundo é visto de uma forma diferente (como para todas as gerações, claro), mas, no que tange os aspectos relativos à gênero eles são muito mais tolerantes e experimentadores. Sua questão mental é “por que não?” – e, assim, permitem-se ousar e inovar.

Focando nesse mercado várias marcas de moda já lançaram produtos sem gênero. A Melissa, famosa por seus calçados fofos e cheirando a morango disponibilizou em seu mix de produtos o Flox Unissex.

melissa flox

A aclamada marca francesa Louis Vuitton apresentou em janeiro desse ano seu novo garoto-propaganda, o jovem ator e rapper Jaden Smith (filho do ator Will Smith) que estrelou o lançamento da campanha feminina Verão 2016. Isso mesmo, um homem estrelando a campanha feminina. Smith já declarou várias vezes que não vê distinção de gênero entre roupas e não raro é visto usando saias e vestidos com blazer. Foi uma grande aposta da marca que tem mirado num público mais jovem.

Jaden Smith para Louis Vuitton Fotos: Bruce Weber

Voltando para o Brasil, outra marca que reascendeu a discussão da moda genderless foi a recém-lançada campanha Outono-Inverno 2016 da C&A. Com o tema “Tudo Lindo & Misturado” a marca sutilmente introduz o assunto no mercado nacional de massa, mas vai pelo viés de uma moda mais democrática e valorização da liberdade de escolhas, afinal, não existe uma linha de produtos sem gênero, mas as experimentações comerciais começam a surgir.

Imagens do comercial da campanha “Tudo Lindo & Misturado” da C&A

Em síntese, como a moda sem gênero vai afetar o guarda-roupas masculino? A moda genderless é para quem deseja usá-la, não será massificada para todos os guarda-roupas e seu uso não tem relação com condição sexual, qualquer um pode aderir a ela, a final, é uma moda para seres humanos.