Pesquisadora londrina afirma que aparência é fator importante para o sucesso pessoal

Tem homem que ainda acha que cuidado com a imagem pessoal é um dos supérfluos do século XXI. Na verdade, ainda que seja, cada vez mais somos avaliados mais pela imagem que projetamos do que propriamente por aquilo que realmente somos. E intrigados por essa inversão de valores, vários estudiosos já tentaram entender o fenômeno.

Um desses estudos partiu da socióloga e professora da London School of Economics, Catherine Hakim, que publicou o livro “Capital Erótico – pessoas atraentes são mais bem-sucedidas – a ciência garante” (Editora BESTBUSINESS), que sustenta a tese de que pessoas bonitas têm mais vantagens econômicas do que pessoas “não bonitas”.

Actor Channing Tatum poses at the European premiere of "Magic Mike XXL" at Leicester Square in London, Britain

Ator Channing Tatum, em cartaz com o filme “Magic Mike XXL”, foi eleito pela revista People como o homem mais sexy do mundo em 2012 © Luke MacGregor / Reuters

A professora Catherine Hakim cunhou o termo capital erótico para designar esse teor de beleza útil as pessoas, fazendo alusão as três formas clássicas de capital propostas por Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron, em 1973: o capital cultural, nosso conhecimento, educação e habilidades; o capital econômico, nossos recursos financeiros; e o capital social, nossas redes de associação de grupo, influência e colaboração. Assim, ela evidencia que nos tempos atuais existe um fator adicional a se preocupar na busca pelo poder, que é a aparência pessoal.

Em seu o estudo, Hakim aponta que homens mais atraentes, isto é, com maior capital erótico, ganham nos Estados Unidos e Canadá ente 14% e 27% a mais que os homens não atraentes, sendo que o outro único fator com influência tão significativa e direta no salário deles seria somente a inteligência.

Ok, você deve estar pensando: qual a referência de bonito e feio? Beleza não é algo muito relativo? A reposta que tenho é que o conceito de bonito pouco mudou desde a Antiguidade Clássica. As referências que temos arraigadas em nossa cultura são resultado da concepção platônica e aristotélica de mundo. A vida e a arte se faziam baseadas no equilíbrio, simetria, ordem, harmonia e proporcionalidade e, até hoje, somos herdeiros desta tradição que se projetou no Renascimento (momento no qual também surge a Moda como um sistema).

É claro que cada indivíduo pode formar seu próprio juízo de gosto, determinando o que é belo para si próprio. Como afirmara o filósofo alemão Immanuel Kant (1724 – 1804), no juízo estético verifica-se o acordo, a harmonia ou a síntese entre a sensibilidade e a inteligência, o particular e o geral. Para Kant, “todos os juízos de gosto são juízos singulares”. Mas, como vivemos em sociedade, o que impera é o juízo da maioria.

Para os especialistas no assunto, apenas de 2% a 3% da população podem ser consenso quanto a beleza, algo entre 4 e 6 milhões de brasileiros. Ou seja, se geneticamente um indivíduo não herdou os princípios de equilíbrio, simetria, ordem, harmonia e proporcionalidade, ele pode lançar mão de artifícios para aparentar ser mais bonito.

O capital erótico de Hakim não é composto apenas pela beleza facial, mas considera também outros cinco elementos: a sensualidade, as habilidades sociais, a vivacidade, a sexualidade e apresentação pessoal. Logo, assim como os demais capitais de Bourdieu, é possível e importante que você os desenvolva na medida dos seus objetivos pessoais.

E lembre-se, a aparência também é composta por roupas, acessórios, educação, postura corporal e linguagem, por isso e pelas pesquisas, nos idos de 2015 cuidar da carreira profissional vai além de ser competente, dedicado e bem formado.