Não é de hoje que as roupas são usadas pela sociedade como forma de expressão, aliás, esse é um dos conceitos-chave do que é Moda, por isso, a roupa tem esse poder de distinguir e igualar, posicionando pessoas através da estética.

Mas, se nos primórdios essa comunicação se dava através da pele oriunda das enormes feras caçadas ou de tecidos nobres e cores suntuárias, hoje a comunicação é mais objetiva. Uma das principais peças do guarda-roupas que aderiu a esse fim de estandarte foi a camiseta.

Originalmente as camisetas eram peças de underwear, ou seja, deviam ser usadas por baixo de camisas ou exibidas apenas dentro do lar ou em vestiários. Não se usava camiseta no dia a dia, até que os jovens da década de 1950, muito influenciados pela estética proposta pelos atores James Dean e Marlon Brando, adotaram as camisetas como forma de protestar ao modelo idealizado de família tradicional disseminado (sobretudo pelos estadunidenses) na época.

Ator James Dean Foto: Divulgação Warner Brothers

Anos mais tarde as t-shirts ganharam estampas e, hoje, são essas estampas o principal mecanismo de divulgação de ideias e valores para juventude através da moda. Cientes disso, as marcas têm aproveitado o cenário político nacional para estampar peças que “possam dizer algo” e viralizar entre o público consumidor. Talvez uma das primeiras camisetas estandartes tenha sido a famosa estampa da face de Che Guevara, hoje consumida no formato original, com variantes moderninhas ou até com tom crítico a sua obra.

Camisetas estampadas Che Guevara @Divulgação

A marca carioca Reserva é uma das que não ficam atrás no uso das camisetas politizadas e lançou recentemente [peças ainda à venda na loja virtual] uma t-shirt em apoio ao trabalho do Juiz Federal Sérgio Moro na Operação Lava Jato, com a frase: “Nós [Brasil] Moro”. Já a marca Camiseteria Kali se posiciona de forma clara e promoveu a estampa “Não vai ter golpe”, em apoio a Presidente Dilma Rousseff.

A marca Sergio K é uma das que não perdem tempo ao satirizar, criticar e polemizar. Em 2014 lançou uma linha de camisetas para Copa do Mundo com dizeres provocativos direcionados aos craques de outras nacionalidades, como “Zidane já era”, “Baloteelli é um perdedor”, “Maradona é bicha”, “Messi Corno” e “C. Ronaldo é gay”. Em 2015 a camiseta da vez estampou a frase “A culpa não é minha – eu votei no Aécio”, uma resposta da marca a insatisfação política verificada junto ao seu público-alvo.

Esse ano, não diferente, o estilista proprietário da marca, Sergio Kamalakian, aproveitou a evidência que a Operação Lava Jato ganhou na mídia e promoveu a camiseta “In Moro, we trust” (Em Moro, nós acreditamos). A última da marca foi a camiseta “Tchau Querida”, vendida pela bagatela de R$198 [com entrega para 15 dias úteis]. Aproveitando o ensejo, a marca TuttiCores propôs variantes da peça: “Em Temer, nós não acreditamos” e “Em Cunha, nós não acreditamos”.

 

Mas, apesar da profusão de marcas aderindo as camisetas politizadas, os consumidores nem sempre aprovam a ideia, já que consideram oportunismo o uso de questões sociais graves para tirar vantagem econômica.